Terça-feira, 12 de Abril de 2011
Desmistificando a ajuda Alemã
George Soros, bilionário e filantropo húngaro, numa entrevista recente ao Financial Times, desmistifica a posição alemã na ajuda aos países em dificuldades e aponta soluções para a coesão futura da Zona Euro.
Nao podia estar mais de acordo com as suas previsões! Vamos por partes.
A Alemanha culpa os países periféricos pela crise, dada a sua progressiva perda de competitividade e os níveis elevados de endividamento, pelo que lhes atribui todo o ónus de ajustamento. Segundo Soros, esta é uma perspectiva inquinada, dado que não se trata apenas de uma crise de dívida soberana mas também uma crise bancária e monetária, tendo a Alemanha uma elevada quota de responsabilidade. Aquando da introdução da moeda única, o BCE encarou a dívida soberana de todos os países membros como “risk free” e aceitou-a na sua janela de desconto em condições iguais. Os bancos, forçados a deter no balanço activos “risk free” para cumprir requisitos de liquidez foram acumulando dívida soberana de países mais frágeis de forma a ganharem uns pontos base extra. Esta medida levou à descida das taxas de juro em países como Portugal, Espanha, Grècia, Irlanda e Itália. O resultado foi uma divergência em termos de competitividade e uma crise bancária na qual os bancos germânicos foram os mais afectados. Neste contexto, a ajuda alemã aos países em dificuldades não é simplesmente altruísta nem o reflexo da solidariedade europeia, mas sim uma forma de proteger o seu sistema bancário.
Diagnosticada a origem do problema, Soros aponta duas soluções, a meu ver, acertadas. A primeira passa pelo resgate do FEEF não só dos países em dificuldades mas também dos respectivos sistemas bancários. O tamanho do pacote de ajuda seria quase igual uma vez que qualquer quantia utilizada na recapitalização ou liquidação de bancos reduziria a quantia emprestada aos estados.
A segunda solução passa pela eliminação do “risk premium” nos custos de financiamento dos países que cumpram as regras da UE (déficit menor ou igual a 3% e endividamento inferior a 60% do PIB). Esta solução, implicaria a conversão da dívida soberana em eurobonds; os países emitiram dívida com collective action clauses (CAC – cláusula de acçao colectiva: permite a uma maioria dos bondholders votar a favor de uma reestruturação da dívida) e pagariam um “risk premium” consonante com algum desvio aos critérios de Maastricht.
Recorde-se que George Soros ficou conhecido como “The man who broke the Bank of England” após ter especulado sobre a depreciaçao da libra em 1992.


publicado por HGjr às 10:33
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