Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
Os Comediantes
Que Portugal vai ter um futuro problemático pela frente já todos nós sabemos. Só não sabemos como é que isto vai acabar: Se como um membro de pleno Direito da Europa; Se como uma província pobre e assistida da Europa rica: um campo de férias e de repouso para os reformados fugirem ao rigor dos prolongados invernos do centro/norte da Europa.
Entretanto, quando ao fundo do túnel não se vislumbram ainda sequer as luzes dos pirilampos, já temos por adquirido o empobrecimento progressivo; os cortes salariais mais ou menos acentuados e a eliminação da constelação de mordomias que cada classe profissional foi tecendo imperceptivelmente, sob o olhar distraído ou complacente de tutti quanti.
Mas nem tudo são tristezas no nosso fadário. Dia após dia irrompem no nosso quotidiano acontecimentos e personagens que aliviam a carga dramática e injectam um pouco de humor nas nossas vidas tristonhas:

·        O nome da filha da Luciana Abreu tornou-se um caso nacional a somar à história torturada dos amores donde nasceu o rebento;
·        O sarau de poesia em Belém com a D. Maria de Cavaco Silva a declamar os seus poemas inéditos, deixou Portugal inteiro suspenso de    curiosidade de os conhecer;
·        O ingresso da Manuela Moura Guedes na SIC seguramente para reforçar a qualidade da informação, fazer crescer as audiências e o valor do título que já está abaixo da gorgeta devida para a reintegração social dos arrumadores do Rui Rio.
·        O episodio do Paulo Futre com o departamento do jogador chinês e os charters dos indígenas do Império do Meio inundando tudo o que é casas de comes e bebes de Lisboa com a prodigalidade das suas comissões e gorgetas…
·        Os corninhos de Manuel Pinho apontados ao deputado Bernardino Soares, apesar de antigo, ainda não caducou e continua a fazer parte do património dos inusitados momentos de pura comédia da legislatura cessante.

O mais recente comediante do burgo dá pelo nome de Marco António Costa, Vice-Presidente do PSD e Administrador do Metro do Porto. Há dois dias atrás, reiterando o compromisso do PSD em manter as SCUTs caso venha a formar governo, saiu-se com esta pérola: “o discurso do Primeiro-Ministro denota a preparação da opinião pública para mais medidas de austeridade”.
Só pode ser para rir! O PSD chumba o PEC IV, precipita a queda do Governo e o pedido de ajuda que trará consigo medidas muito mais duras que o programa chumbado e este senhor tem esta tirada !!! Verdade seja que o Dr. Durão Barroso estava atento em Bruxelas e já se apressou a confirmar as previsões arrojadas do Dr. Marco António, um dos valores mais seguros e promissores do novo PSD.
Como nota final, há que referir que durante o seu mandato como Administrador do Metro do Porto a escalada dos custos operacionais e do endividamento deixou a empresa numa situação em que não garante os salários dos trabalhadores pois não se consegue financiar nem pagar os compromissos assumidos com a banca. Entretanto o Presidente da Metro do Porto, Ricardo Fonseca adiantou não se recandidatar e afirmou que o modelo de financiamento foi inadequado ao perfil e nível de investimentos ....
A mesma Administração da Metro do Porto, a fazer fé nas palavras do ministro António Mendonça, propôs recentemente um investimento de 2,5 mil milhões de euros para expansão da rede...
Para animar os mais descrentes nas virtudes da democracia finalizamos com os edificantes episódios do último Conselho de Estado.
Com o sorriso beatífico dos que se sentem tocados pela graça divina, o Dr. Bagão Félix veio assegurar que o Primeiro Ministro ou estava mouco ou distraído na última reunião duma instituição que é a créme de la créme das instituições que tem a seu cargo os nosso destinos: o Conselho de Estado.
E se não é mouco nem distraído só pode ser mentiroso, ou possivelmente as 3 coisas, que nisto de assassinatos de carácter convém não deixar nenhuma hipótese em aberto.
O Dr. Capucho vem assegurar que o Dr. Bagão tem razão, mas o Dr. Carlos César e o Dr. Almeida Santos garantem que ambos estão equivocados.
Sobre esta balbúrdia do Conselho de Estado paira a divisa imortal do poeta: “Ditosa Pátria que tais filhos teve”
Nós por cá, todos bem, entregues como estamos a estes Pais e Filhos da Pátria.


publicado por HGjr às 12:03
link do post | comentar | partilhar

3 comentários:
De Anónimo a 9 de Abril de 2011 às 06:48
Sim,vê-se algum raciocínio interessante nas matérias aqui colocadas,mas não passa disso.

Tornar este espaço em mais um campo de batalha político,radiografando as atitudes e a actualidade,pouco ou nada adiantará para sairmos da situação em que nos encontramos.

É necessário,isso sim,um radial que nos permita uma concertação accional.

Ah e já agora,penso que se escreve 'gorjeta' e não 'gorgeta',mas confesso que com todas as alterações ortográficas já não sei ao certo - sem qualquer tipo de pretensiosismo em relação a quem escreveu este artigo,porque até está 'robusto' a nível linguístico.

Continuações,são os meus votos,na esperança de ver algo mais do que meras apreciações/críticas a discursos de terceiros.


De HGjr a 9 de Abril de 2011 às 07:13
Caro Anónimo,
Em primeiro lugar, um pedido de desculpa face ao evidente erro ortográfico. Também eu já me sinto baralhado com tantas alterações ortográficas.
Quanto à sua crítica aos conteúdos do blogue, importa referir:
i) os posts mais mordazes e satíricos serão, a seu tempo, complementados com propostas e ideias económicas/políticas concretas
ii) os post colocados por mim até ao dia de hoje reflectem apenas a minha opinião face ao total desnorte que paira sobre a vida política nacional, que a meu ver, merece também reflexão
O Conversas Entre Nós não será apenas mais um blogue de crítica nem um campo de batalha político como refere.
Findo este esclarecimento, espero sinceramente que se mantenha um seguidor atento deste blogue e que contribua, sempre que o assim entender, com soluções e propostas diferentes das aqui apresentadas. As melhores soluções nascem sempre da confluência de ideias e opiniões de mentes esclarecidas.
Cumprimentos,
HGjr


De Pedro Vasconcelos a 13 de Abril de 2011 às 09:10
Caro HGjr,

"O PSD chumba o PEC IV, precipita a queda do Governo e o pedido de ajuda" (HGjr). Na minha opinião os factos são evidentes : Crescemos 1% nos últimos 6 anos e vamos ser o único país em recessão no próximo ano.Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate? Portugal já está ligado à máquina (BCE) há mais de 1 ano e com uma balança corrente deficitária que se prolonga à mais de uma década!! Tendo isto em conta, acho simplesmente de mau gosto o governo atirar as culpas para o PSD. Estou farto de jogadas políticas que só servem para atirar areia para os olhos de um povo pouco instruído.

Não concordo com posts neste blog que só acrescentem valor para um gincana politica que é alimentada pelos média portugueses todos os dias. Não me interessa se o Passos Coelho foi visitar o Sócrates ou se só recebeu uma chamada antes de o PEC IV ter sido apresentado aos nossos congéneres da EU. Não me interessa o nome do filho de jogadores de futebol. Não me revejo num geração à rasca que só sabe queixar se e não aproveita as oportunidades que tempos turbulentos necessariamente abrem.

Espero ver ideias de como reformular o estado, de ver ideias que nos façam crescer (mesmo em tempos de austeridade). Espero que este Blog mostre que há valor na nossa geração e que se restrinja a "propostas e ideias económicas/políticas concretas".

Gostava de saber se este blog está estritamente fechado a artigos do Sr. HGjr e do Sr. Afonso Eca ou se outros indivíduos vão ter a possibilidade de dar a sua opinião sem ser por meio de comments a artigos dos autores em cima citados.

Os Melhores Cumprimentos,


Comentar post