Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
Vergonha! (ou falta dela)

A venda do BPN ao BIC por 40 milhões de euros não só é um negócio ruinoso para os cofres do Estado como uma ofensa a todos os Portugueses.

 

Vítor Gaspar, após anos confinado aos corredores e gabinetes cinzentos do BCE, deu azo à sua veia criativa e inventou um novo conceito, “Pagar para Privatizar”.

 

Atente-se aos detalhes da transacção: o Ministério das Finanças suporta os custos das indemnizações a 750 trabalhadores, o custo do encerramento de diversos balcões e centros de empresa e ainda injecta 550 milhões para recapitalizar o banco. Tudo isto eleva para 2,4 mil milhões de euros o custo da nacionalização. Mais, a proposta do BIC prevê ainda que todo o crédito em risco de incumprimento na carteira do BPN seja assumido pelo Estado. Isto significa que, para além dos 3,9 mil milhões em activos duvidosos que foram entretanto transferidos para as sociedades Parvalorem, Parups e Parparticipadas que por sua vez estão desde Junho sob a alçada do Tesouro, serão transferidos para esses veículos outros créditos malparados, num montante que poderá chegar aos 500 milhões de euros. O BIC paga 40 milhões de euros por um banco devidamente capitalizado, com um balanço livre de activos tóxicos e credito malparado e com uma rede de retalho racionalizada e operacional. Hoje é dia de festa em Luanda...

 

Não seria melhor a liquidação do banco?. O estado assumia os custos das indemnizações à totalidade dos trabalhadores e accionava o fundo de garantia de depósitos. Seria certamente uma opção menos onerosa para os erário público. Como dizia Scolari: “O parvo sou eu?”

 

A nacionalização do BPN foi um dos grandes erros da governação socialista. O BPN, por omissão do supervisor, tinha como único objectivo encher os bolsos dos accionistas da SLN, todos eles membros da aristocracia cavaquista (incluindo o próprio Prof. Aníbal). No meu entender, deixar cair o BPN não teria produzido nenhum impacto no sistema financeiro nacional atendendo à sua dimensão e insignificante expressão internacional. A nacionalização foi um erro, este negocio é um erro mas não faz mal. Estamos cá nós para pagar a conta.

 

Entretanto, a mais recente contratação do “albergue espanhol” do Campo Pequeno (vulgo CGD) dá pelo nome de Rui Machete. É no mínimo uma falta de decoro e bom senso nomear para Presidente da Assembleia Geral da CGD alguém que foi durante muitos anos Presidente do Concelho Superior da SLN...

 

P.S. Não entendo quem justifica a falta de medidas para corte da despesa com o pouco tempo em funções do Governo. Recordo que o próprio MNE, Dr. Paulo Portas, anunciou ter em sua posse um programa que permitia o corte de 1,7 mil milhões na despesa do Estado em Setembro de 2010. O que foi feito dessas medidas? Como é fácil fazer oposição em Portugal!



publicado por HGjr às 10:20
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