Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
Lenha para a fogueira

Numa altura em que a Europa anseia por soluções eficazes e exequiveis para combater a crise da dívida soberana eis que Angela Merkel profere a seguinte declaração relativamente a um possível acordo na cimeira extraordinária de quinta-feira: "...não haverá nenhuma medida espectacular". Creio que a Sra. Merkel ainda não entendeu que a Europa não necessita de espectacularidade nem de magia mas sim de um compromisso dos seus lideres para um novo pacote de ajuda à Grécia e um novo mecanismo de transferência monetária entre países membros.

 

De acordo com o diário alemão "Tagesspiegel", os próprios dirigentes da CDU, incluindo o ministro das finanças Wolfgang Schauble, esperam que a chanceler abandone a sua posição expectante alegando que um colapso da moeda única poderá revelar-se muito mais oneroso para a Alemanha que um novo resgate grego e um novo modelo de financiamento europeu.

 

Por um lado entendo aqueles que defendem a participação dos credores privados num novo pacote de ajuda â Grécia. A sua exclusão seria mais um episodio da celebre "privatização dos lucros e nacionalização dos prejuízos" que tem marcado o desenrolar desta crise financeira. No entanto, ao envolver os privados, os custos de financiamento de qualquer país Europeu agravar-se-iam uma vez que os investidores teriam em conta a possibilidade de incorrerem em novas perdas caso houvesse nova restruturação (reprofiling, defaulto que quiserem...). Não é esta a melhor altura para moralismos...

 

O projecto europeu luta diariamente pela sua sobrevivência. A cada dia que passa, a cada declaração descabida e desconexa respondem os "malvados" mercados com subidas vertiginosas dos custos de financiamento tanto dos periféricos como dos poderosos...

 

Em Atenas, Papandreou desespera. Em Bruxelas, o "cherne" abandona a sua pose diplomata e alerta, com a dose de dramatismo que a situação exige, para a as consequencias nefastas da não chegada a acordo na cimeira extraordinária de quinta feira. Curioso como a postura das instituições Europeias muda radicalmente assim que os pesos pesados são atingidos pela mira dos mercados e das agencias de rating.

 

Cá pelo burgo, entre o "Bairraogate", os "desvios colossais" e as gravatas ministeriais a vida decorre com normalidade. Apenas a chuva em Agosto e a despromoção do Benfica à II B poderiam transformar a já habitual rotina da "silly season".

 

P.S: Alguém me diz qual foi o banco alemão que chumbou nos stress test?



publicado por HGjr às 18:02
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1 comentário:
De Gonçalo Sommer Ribeiro a 21 de Julho de 2011 às 16:52
Caro HGjr,

O banco em questão é o Helaba . Não é oficial que tenha chumbado, pois o banco decidiu não publicar os seus resultados, rejeitando os cenários testados pela EBA European Banking Authority ). Embora assumo que possa ter chumbado segundo os critérios usados.

Melhores cumprimentos,

GSR


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