Terça-feira, 12 de Julho de 2011
Será desta Sra. Merkel...

Com a mira dos mercados apontada a Itália, os líderes europeus serão finalmente obrigados a tomar medidas contundentes, caso contrário,  o fim da moeda única será inevitável. O autismo do eixo franco-alemão aliado à incompetência das instituições europeias (e respectivos líderes) deixou a maior economia do mundo extremamente vulnerável.

 

Já ninguém acredita na receita europeia dos pacotes de ajuda “personalizados” como contrapartida a programas de austeridade e ajustamento violentos.

 

As pretensões eleitorais da Sra.. Merkel e do Sr.. Sarkozy não se podem sobrepor à sobrevivência do projecto europeu.

 

De facto, o povo alemão, além de egoísta revela uma memória bastante curta. Esquecem-se do London Debt Agreement de 1953 que estabeleceu os prazos e montantes de amortização da divida e das reparações exigidas â Alemanha no final da II guerra mundial (voltarei a este tema com maior detalhe num próximo post). Esse acordo, impôs condições muito favoráveis â Alemanha, nomeadamente o condicionamento de reembolsos ao superavit na balança de pagamentos, taxas de juro muito baixas e prazos alargados (e várias vezes prorrogados). Um país tão poderoso seria de esperar que saldasse rapidamente os seus compromissos. A ultima prestação foi paga em Outubro de 2010.... Sendo assim, quem são os alemães para falar em moral hazard?

 

Noutro prisma, como já foi referido neste espaço, não serve de nada culpar as agências de rating. É certo que estas coexistem num regime oligopolista obsceno, que não são devidamente escrutinadas e reguladas e que jamais ousariam empregar o mesmo fatalismo e desprezo em avaliações de interesses americanos. No entanto, o seu poder destrutivo resulta da inacção europeia e do inacreditável outsourcing pelo BCE de parte das suas responsabilidades na condução da politica monetária.

 

No meio de toda esta histeria colectiva espero que o executivo de PPC reveja o seu programa de privatizações e esfrie um pouco a sua demanda liberal. Com os mercados em queda acentuada esta seria a pior altura para levar a cabo tal programa. Acabaríamos por vender activos valiosos, alguns em situação de monopólio natural, a interesses estrangeiros por “tuta e meia”.



publicado por HGjr às 18:34
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2 comentários:
De yura a 14 de Julho de 2011 às 22:41
não é bem assim


De jose santos a 18 de Julho de 2011 às 19:17
Só para dizer que gostei da abrangência da análise, que pelos vistos, muita gente parece não querer entender.
Num mundo em completa deriva (económica e moral) é inaceitável o comportamento destes dois efémeros líderes, esquecidos, tanto um, como o outro, que os tempos mudam e as vontades também! Os franceses não devem ter a memória curta e os alemães, idem.
Afinal, depois de uma guerra desumana imposta pela Alemanha, os aliados superaram todos os obstáculos para dar a mão a uma Alemanha desacreditada e deprimida!
Estes motivos e outros, é certo, seriam suficientes para lembrar que uma Europa forte, apenas fará sentido se for uma Europa inteira. O tempo mostrará que a Sra. Merkel está a seguir o atalho errado.


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