Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
Ainda os ratings...

Nunca imaginei algum dia vir a concordar com uma ideia/pensamento de Alberto João Jardim. Não aprecio o seu estilo trauliteiro e, por diversas vezes, desejei a independência da Madeira apenas e só para me ver livre desse personagem inqualificável do panorama politico nacional e, quiçá, aliviar um pouco o meu “fardo fiscal” dadas as inacreditáveis contribuições do continente para a construção de hotéis, piscinas, estradas (de muita qualidade diga-se, sobretudo em termos de localização em cima de cursos de agua) ou para o subsidio de jornais de propaganda gratuitos que fariam Goebbels morrer de inveja.

 

Sucede que ontem, no meio da histeria e revolta colectiva contra as agencias de notação financeira, AJJ, no seu inconfundível estilo bonacheirão de quem acaba de sair de um almoço bem regado, foi a voz mais esclarecida no panorama nacional, e europeu, na polémica do downgrade da dívida nacional para nível junk.

 

“As agências de rating não entram mais na Administração Publica da região”!! Ora ai está uma solução pragmática e definitiva. Óbviamente, não acredito que seja essa a solução viável num contexto europeu. Contudo, é esta convicção e autoridade que faz falta aos lideres europeus, de forma a esvaziar o poder destas agencias que “levam ao tapete” nações e empresas e que, por diversas vezes no passado, revelaram ser uma “cambada” de “pacóvios incompetentes” tão capazes de analisar o risco de cumprimento como um esquilo abrir um cofre.

 

O BCE e demais instituições europeias deviam ser responsáveis pelas suas próprias avaliações de risco. Que informação têm os técnicos da Moody's, tranquilos nos seus gabinetes em NY, que o BCE não disponha??? Os lideres europeus falam agora (finalmente) na criação de um agencia de rating europeia. Já vem tarde e não será a solução para o problema a curto prazo, muito menos se for criada sem critério e sob pressão.

 

Está na altura da Europa encarar o problema da dívida soberana de frente. Esta na altura de parar com o experimentalismo económico na Grécia! Como pudemos, lamentavelmente, constatar, o problema já não é a divida grega ou portuguesa nem o deficit nem a competitividade... O problema é a viabilidade do projecto europeu. Se estar no euro significa ser alvo de chacota dos pelintras das agencias de rating e da sobranceria do eixo franco/alemão que controla as instituições europeias, então prefiro voltar ao escudo! Podia ser duro, muito duro! No entanto, amanha seriamos donos do nosso destino!

 

P.S 1: Alguém sabe qual é o papel do "cherne" da CE no meio disto tudo?

P.S 2: Alguém conhece as funções do Presidente da UE (nem sei o nome) e de uma tal Baronesa???

P.S 3: Leiam o post do Afonso sobre a proposta francesa para o envolvimento dos privados numa nova ajuda à Grécia. Isso sim é contabilidade criativa!!!

 

 



publicado por HGjr às 13:56
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3 comentários:
De Diogo TM a 11 de Julho de 2011 às 21:14
Caro HGjr

1º- É fundamental ter a noção que o principal problema das agências de rating não é a falta delas (dado que existirem milhares), muito menos a sua existência, fundamental para reduzir a assimetria da informação. Para perceber o cancro que estas representam para a economia mundial convido-o a saber o que significa NRSRO e SEC...

2º- ser o BCE a avaliar as dividas cria um claro conflicto de interesses, pois não sejemos ingénuos acreditando que o BCE é completamente independente e disposto a dar tiros nos pés. Devemos ter em conta que quem queremos que compre a nossa divida não são BC's mas sim privados, logo isso não seria muito credível.

3º- quanto à atitude da moddys, por muito que nos desagrade e pelo injustificável mau timing, não será uma verdade inconveniente? A situação portuguesa está num claro dilema de Meade, a actual resolução não conseguirá resolver o problema de desequilíbrio interno e externo individualmente e a possível resolução Europeia parece inerte. Desta forma, não acho incompreensível que a procura de títulos portugueses seja arriscada.

Cumprimentos,
Diogo TM


De HGjr a 12 de Julho de 2011 às 08:26
Caro Diogo,

1. Verdade. Existem muitas agências de rating , mas apenas 3 dominam, em oligopólio , o mercado num claro abuso de posição dominante. Mais, o reconhecimento da S.E.C como NRSRO da Moody's , FItch e S&P nao muda em nada a minha posição . Portanto como a S.E.C as reconhece, automaticamente os pareceres destas agencias sao certeiros? Nao foi a S.E.C que deixou passar o escandalo Madoff, subprime entre outros??

2. Verdade. Criaria conflitos de interesses. Mas pergunto, alguma vez viu uma agencia de rating tomar uma posição agressiva contra interesses americanos (no fundo quem lhes paga) da mesma forma que o fez com interesses europeus? Com esse tipo de conflitos podemos nós bem. Nao sejamos mais papistas que o Papa. O BCE é o banco central da maior economia mundial pelo que teria sempre credibilidade! (chega de complexos de inferioridade)

3. A Moody's , bem como a Fitch e a S&P, falharam vergonhosamente com a avaliaçao dos productos tóxicos (entre outros) pelo que estao desenfreadamente a tentar fazer um "front running" a futuras crises. Pergunto, o que mudou desde o penultimo downgrade e o mais recente? Elegemos um governo maioritario com apoio parlamentar e social empenhado em cumprir a 100% os objectivos do acordo. Resultado: downgrade.

Óbviamente que o problema nao nasce e finda nas agencias de rating . A falta de liderança europeia conduziu-nos a este ponto e foi responsavel por este protagonismo exagerado das agencias. No entanto, nao se pode deixar de responsabilizar, criticar, regular, o comportamento destas entidades privadas com interesses pouco claros que provaram a sua (in)competencia num passado recente, bem como a sua dedicaçao a quem lhes paga.


De Diogo TM a 12 de Julho de 2011 às 12:54
Caro HHjr,

Muito obrigado, pela resposta.

Penso que concordamos nos meios, mas não nas conclusões.
Ao contrário de muitos que aproveitam para atacar o funcionamento do mercado, o que se passa é precisamente o inverso.

A SEC apenas dá a credencia NRSRO às nossas 3 conhecidas, criando um cancro económico de oligopólio. Como é obvio não é por terem essa credencia que de um momento para o outro passam a funcionar genialmente, pelo contrário, podem abusar desse poder e ao mesmo tempo, passados tantos escândalos, continuam a ser credíveis...

A meu ver a solução não é criar outro oligopólio, ou não as permitir avaliar divida publica, ou criar agora agencias nacionais... O que precisamos é que a SEC deixe de proteger o oligopólio e permitir que as regras de mercado se apliquem às 3 agencias, concedendo o título NRSRO a mais empresas. Pois ser assim fosse, com a avaliação AAA dos cdo mais tóxicos elas teriam já ido à falência...

Cumprimentos,
Diogo TM


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