Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Patetas

Tomo a liberdade de reproduzir neste espaço as declarações do economista João Duque, presidente do ISEG, ao jornal Expresso.

 

“O economista João Duque considera que os juros de cerca de 6% que a Comissão Europeia deverá cobrar a Portugal pela sua fatia da ajuda ao país são aceitáveis, sobretudo levando em conta os juros exigidos no mercado.

 

"A taxa que se fala de 6% não é nada má. A alternativa era Portugal ir ao mercado buscar financiamento a 12%", disse à agência Lusa o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

Duque acrescentou que a fasquia de 6% não poderia ser baixada "para que os países incumpridores não julguem que isto é uma república das bananas", sublinhando que "a Alemanha paga uma taxa de 3%. Portugal quer pagar uma taxa igual à que a Alemanha paga? Não pode ser".

 

O economista defende que a taxa aplicada aos países alvo de intervenção (Grécia, Irlanda e, agora, Portugal) "penaliza o incumprimento e impõe que estes países entrem nos eixos rapidamente".

 

Duque é da opinião que caso a taxa de juro cobrada no âmbito dos pacotes de resgate financeiro fosse mais baixa, qualquer país poderia incumprir, recorrendo depois à ajuda sem ter que fazer um esforço significativo.

 

"Uma taxa de 6% não é nada má. Fica, inclusive, abaixo da barreira dos 7% que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, referiu há alguns meses", salientou.

Quanto aos juros que serão encaixados por Bruxelas pela sua parte do apoio financeiro a Portugal, Duque considera que "vão servir para constituir um pé de meia".”

 

Pergunto-me como pode um economista de prestigio, cuja opinião é ouvida e respeitada, produzir declarações destas. Óbviamente que Portugal (no seu todo) errou. Vivemos demasiado tempo acima das nossas possibilidades. Chegou a hora de fazer as reformas há muito necessárias, mas sempre adiadas por falta de coragem política. No entanto, o pacote de ajuda externa, de “ajuda” tem muito pouco. Uma taxa de 6% levará á agonização da economia nacional. Tal como os Gregos, viveremos apenas para pagar o serviço da dívida e daqui a três anos estaremos na mesma situação em que nos encontramos hoje.

 

É necessário haver crescimento económico para evitar a queda numa espiral recessiva que terminará, sem margem para dúvida, numa restruturação da dívida ou na “morte” da nossa economia.  Enquanto definhamos, as nossa jóias da coroa (GALP, EDP, CGD etc...) serão vendidas ao desbarato a investidores estrangeiros. Creio que a própria UE já se apercebeu que os programas implementadas na Grécia, Irlanda e agora em Portugal terão de ser renegociados.

 

Portugal pode ser uma “republica das bananas”! Ainda assim, temos direito a ter voz activa na construção do futuro Europeu. Temos direito ao que alguém uma vez apelidou de “solidariedade europeia”.

 

Será que ainda ninguém percebeu que o momento que atravessamos apela à união e ao patriotismo. Não chega a senilidade do Dr. Catroga para animar a plebe? Está na altura de nos unirmos e enfrentar-mos os desafios que se apresentam. Chega de derrotismos e de apontar o dedo.

Dr. João Duque, tenha juízo!!! O que dirão os seus alunos (aqueles que não forem cegos, infoexcluídos ou subservientes), que vêm em si a figura máxima de uma instituição de prestígio internacional que lhes fornece as bases para o futuro.

 

Como um dia alguém, numa situação semelhante de desplante, referiu:

 

Porque no te callas!

 

 



publicado por HGjr às 21:37
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1 comentário:
De Afonso Eça a 13 de Maio de 2011 às 01:29
Acho espantoso um economista de renome como o Professor João Duque pensar que é benéfico para o nosso país uma taxa de 6% cobrado pela UE (que vai dar 5.1% no total do empréstimo). Admito que o Prof. João Duque tenha um cenário macroeconómico mais optimista e porventura muito mais correcto e real do que o meu - de outra forma acho deveras complicado uma taxa deste calibre trazer algo de positivo.

O cerne da questão não é a Alemanha pagar 3%...O projecto Europeu de moeda única paga 3% (ex: emissoes do EFSF) - ou existe solidariedade entre membros ou então é o princípio do fim...

Mais do que isso, a questão a abordar acaba por chegar sempre ao mesmo ponto. Começámos uma união monetária em que sabiamos(?) que o fim teria de ser uma união fiscal. Não será altura de dar o primeiro passo? E de começar a tratar os parceiros do espaço comum (que contribuiram para o crescimento da zona comum como um todo) como verdadeiros parceiros e eliminar parte ou a totalidade deste spread (3%)?

Enfim, não concordo com o Prof João Duque. Penso que para termos uma Europa com futuro precisamos de um projecto diferente - ou um projecto verdadeiramente Europeu ou então um passo atrás na integração económica....O status quo vai- se demonstrar insustentável!


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